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À bout de souffle é o primeiro filme de longa-metragem dirigido por Godard. Ele foi realizado em 1959, e teve como protagonistas Jean-Paul Belmondo e Jean Seberg, com participação de Claude Chabrol (também crítico e diretor de cinema).

À bout de souffle : Belmondo e Seberg

À bout de souffle : Belmondo e Seberg

O filme estreou em Paris com grande sucesso de crítica e público, sendo uma das obras mais significativas para a recém iniciada nouvelle vague. Sobre essa ocasião, Gubern (1974)¹ comenta “[…] Godard introduziu no cinema e em nossa sensibilidade novas propostas e estruturas plásticas que estavam muito mais próximas à linguagem da reportagem, da publicidade, dos comics ou da televisão diretamente.”

À bout de souffle - Belmondo e Seberg

À bout de souffle - Belmondo e Seberg

À bout de souffle traz diversas referências do cinema clássico – como o personagem de Belmondo (Michel) que admira a Humphrey Bogart – mas também do estilo noir – o próprio filme é dedicado à monogram pictures, um estúdio de filmes B.

À bout de souffle - Michel e Bogart

À bout de souffle - Michel e Bogart

Também reforça as bases defendidas pela nv, tais como a criação de personagens com personalidade ambígua, a preocupação em documentar a cidade – no caso, Paris – e seus transeuntes, e o uso de roteiro e diálogos originais cheios de citações e homenagens.
Como marca de autor, estão presentes as preferências culturais de Godard além de sua maneira peculiar de filmar, com uma câmera rápida e sobressaltada, já em parceria com Raoul Coutard, diretor de fotografia de todos seus filmes dessa primeira fase.

À bout de souffle - Patricia e Renoir

À bout de souffle - Patricia e Renoir

Há muitos aspectos importantes para se falar desse filme. Mas como principais, destacam-se todas as situações de quebra de paradigma e enfrentamento de tabus, como os cortes abruptos sem continuidade, os saltos de eixo que também confundem o acompanhamento espacial da cena, e o olhar que a personagem dirige à câmera na última cena, coisa que não se via no cinema em geral.

À bout de souffle - última cena

À bout de souffle - última cena

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Referência das imagens: extração de frames diretamente da cópia digital.
¹ GUBERN, Román. Godard Polémico. Barcelona: Tusquets, 1974.

Godard, em 1964.

Godard, em 1964.


Jean-Luc Godard nasceu em Paris, em 1930, em uma família franco-suíça da classe média alta. Durante a Segunda Guerra Mundial, sua família se transladou à Suíça onde Godard foi nacionalizado. Regressando a Paris, em 1946, preparou-se para iniciar seus estudos em Antropologia na Sorbonne, curso que jamais terminou.
Nessa época, conheceu François Truffaut, Jacques Rivette, e Eric Rohmer, colegas com quem passou a freqüentar a Cinemateca Francesa e os cine-clubes. Desde 1951, começou a escrever como crítico de cinema para diversas revistas, inclusive a Cahiers.
Godard e Truffaut, década de 1960

Godard e Truffaut, década de 1960


O pequeno grupo também escrevia roteiros e produzia filmes, ajudando-se mutuamente. Como foi o caso de Une Histoire d’Eau, curta que rodou junto com Truffaut, quando eram novos e ainda mantinham uma relação amistosa.
Mas o que quero destacar aqui é que, pela biografia de Godard, por ter vindo de uma família rica, e por viver ao borde dos dois países, ele teve grande acesso à instrução e à cultura, e esse grande domínio de conteúdos vindos de diversos campos do conhecimento, como artes plásticas, literatura, filosofia, vão ser encontrados mesclados em seus filmes, seja na fala de um personagem, ou na inserção de um livro de cabeceira, ou até mesmo na identificação de um personagem.
No próximo post, começarei a expor suas obras, uma por uma, em breves monólogos como este.
Até agora, o importante é perceber que Godard esteve metido com a nouvelle vague e que sua inteligência e conhecimentos é um fato marcante, visível em todas as suas obras.
Godard, passados os 60 anos.

Godard, passados os 60 anos.


Faltou falar da Anna Karina, sua primeira mulher e grande atriz dos primeiros filmes. Mas isso deixo pra um post a parte.
E só pra constar, Godard ainda vive, ainda produz, e ainda possui uma média de 2,5 filmes por ano.

Cahiers du Cinéma


A revista Cahiers du Cinéma foi fundada em 1951.

Ela é fruto da união entre a revisa Revue du Cinéma + membros de dois cineclubes de Paris:
Objectif 49, encabeçado por Robert Bresson, Cocteau e Alexandre Astruc; do qual faziam parte os jovenzinhos intelectuais Orson Welles e Roberto Rossellini.
e o Ciné-Club du Quartier Latin, boletim coordenado por Eric Rohmer do qual faziam parte François Truffaut e Jacques Rivette.
Inicialmente, Éric Rohmer foi o editor da revista e colaboraram com resenhas críticas Jacques Rivette, Jean-Luc Godard, Claude Chabrol e François Truffaut, entre outros.

A Cahiers é a revista de maior prestígio no meio cinematográfico no mundo! E desde 2007, também é editada na Espanha, pela Caimpan Ediciones. Mas.. sei lá.. não há mais tão bons críticos, nem tão bons filmes atualmente.

Rápidas apresentações

A seguir, faço uma relação de imagens entre diretores e seus principais filmes.
Pelo menos pra mim, saber que diretores com nomes estranhos têm rostos (muitas vezes estranhos também) ajuda a me aproximar um pouco da época e de sua personalidade.

Os filmes que escolhi obedecem à seguinte ordem de escolha:
filmes muito conhecidos, filmes mais premiados, filmes que eu mais gosto.

André Bazin era crítico de cinema. Escreveu o livro <i>O que é o cinema?</i> que até hoje é considerado um dos melhores exemplos da literatura teórica sobre cinema. Foi grande amigo do jovem François Truffaut e uma inspiração para seu trabalho. Faleceu em 1958, aos 40 anos.

André Bazin era crítico de cinema. Foi um dos fundadores da Cahiers, e o mais conhecido escritor. É dele o livro O que é o cinema? que até hoje é considerado o melhor exemplo de literatura teórica sobre cinema. Foi grande amigo do jovem François Truffaut e uma inspiração para seu trabalho. Faleceu em 1958, aos 40 anos.

Robert Bresson (Pickpocket, 1959)

Robert Bresson, diretor de Pickpocket (1959)

Orson Welles (Cidadão Kane, 1941)

Orson Welles, diretor de Cidadão Kane (1941)

Roberto Rossellini (Joana D'Arc de Rossellini, 1954)

Roberto Rossellini, diretor de Joana D'Arc de Rossellini (1954)

Eric Rohmer (Minha noite com ela, 1969) (Pauline a la plage, 1983)

Eric Rohmer, diretor de Minha noite com ela (1969) e Pauline a la plage (1983)

François Truffaut (Os 400 golpes, 1959) (Jules e Jim, 1962)

François Truffaut, reitor de Os 400 golpes (1959) e Jules e Jim (1962)

Jacques Rivette (Va Savoir, 2001)

Jacques Rivette, diretor de Va Savoir (2001)

Claude Chabrol (Madame Bovary, 1992)

Claude Chabrol, diretor de Madame Bovary (1992)

Por que tanto nome e porque essa revista é importante?

Bom, quando toda essa gente resolveu se unir pra discutir os caminhos e formas que o cinema tomava na década de 50 (tanto pelos anos dourados de Hollywood quanto pela realidade local) aconteceu uma revolução na crítica e teoria do cinema. E não sou eu que estou falando, olha esse link.
Pra quem ficou com preguiça de ler em inglês, tem um parágrafo que diz mais ou menos assim:

Cahiers reinventou as doutrinas básicas da crítica e teoria do cinema. Um artigo de Truffaut em 1954, ataca a “Tradição de Qualidade Francesa” (La qualité française), e serve também de manifesto para a teoria do autor, que resultou na reavaliação de filmes e diretores de Hollywood, como Alfred Hitchcock, Howard Hawks, Robert Aldrich, Nicholas Ray, Fritz Lang, e Anthony Mann.

E o melhor de tudo é que eles não ficaram só na teoria, acomodados em sua postura de críticos. Eles resolveram ir à luta com suas câmeras na mão (na mão mesmo, pra quebrar paradigmas e lançar moda) e dirigir seus próprios filmes, exemplos de suas teorias e ideais.

Em 1959, Truffaut dirige seu primeiro filme (Os 400 golpes) baseado em sua própria infância.
O filme despertou a atenção da crítica internacional e deu início ao novo fenômeno cinematográfico chamado Nouvelle Vague.
No Festival de Cannes, Truffaut recebe o prêmio de melhor direção, e no mesmo festival Alain Resnais fica mundialmente conhecido pelo filme Hiroshima Mon Amour.

Eu sei que esse blog é do Godard, mas qualquer dia eu escrevo mais sobre Truffaut, autor que também tenho grande estima e respeito.

Sinopse:

Uma jovem narra em 1ª pessoa sua aventura de tentar ir a Paris em meio a uma tempestade, que pouco a pouco vai inundando vilas e estradas possíveis.

Um jovem galante lhe oferece carona e ambos seguem por caminhos bloqueados pela água. Param por alguns momentos e logo encontram seu próprio caminho a Paris. Ao chegarem, a jovem tem certeza de que passará a noite com ele simplesmente porque estava feliz.

A narração é cheia de referências que mesclam escritores, filósofos e personagens de livros de ficção.

Diegesis História linear, marcada por tomas aéreas da cidade progressivamente inundando-se, imagens estas acompanhadas por vigorosos sons de tambores.

Pontos importantes:

Esse curta foi escrito e dirigido em co-autoria com François Truffaut.

Não consegui dados exatos do ano de realização. O imdb diz que foi em 1961, então fica assim até que provem o contrário.

Isso quer dizer que ambos já teriam realizado seus primeiros longas (Truffaut em 1959 e Godard em 1960). Mas não importa tanto a data, só que foi realizado mais ou menos no mesmo período, e por essas duas figurinhas.

Resumindo grosseiramente, ambos começaram suas carreiras como críticos de cinema, e de tanto criticarem o cinema, começaram eles mesmos a dirigirem seus roteiros.

No café de amanhã escrevo mais sobre esse momento pré-Nouvelle Vague…

Uma pista do elemento aglutinador pra que tudo acontecesse:

Cahiers du Cinéma.

Enquanto o post fica pronto, frames e trechos selecionados de Une histoire d’eau. História casual mas poética com uma narração encantadora.

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proposta do café

Jean-Luc Godard é um diretor e crítico de cinema, reconhecido principalmente por seus trabalhos durante a Nouvelle Vague.
Caracterizado por sua mirada sempre vanguarda e sempre polêmica, é um dos maiores inovadores nas artes visuais do século XX – e começo de século XXI.
Ágil, original, provocador, amoral.
Este blog foi criado para organizar informações teóricas e reunir curiosidades sobre o cine de Godard; como num café sem compromisso, pretendo com essa proposta compreendê-lo e torná-lo mais acessível ao longo da pesquisa que vou gerando.
É ainda uma base e um incentivo para minha tese de graduação, que tem como objetivo original reconhecer as referências gráficas usadas em seus filmes.
Jean-Luc Godard nasceu em Paris, em 1930.